Em marco deste ano, um artigo de opinião publicado no Brazil Journal provocou uma discussão pouco comum no ecossistema do automobilismo brasileiro. Assinado por Geraldo Affonso Ferreira, o texto argumentava que o kartismo movimenta mais de R$ 1 bilhão por ano no País e que esse número, por mais impressionante que seja, ainda é invisível ao capital institucional por um motivo simples: falta organização.
Para contextualizar a escala: a CBA registra hoje 13.373 pilotos filiados em todas as modalidades do automobilismo nacional. Desse total, mais de 2.800, ou seja, mais de 20%, estão no kart. Uma fatia sustentada por investimento anual por piloto que pode variar de R$ 120 mil a mais de R$ 500 mil, dependendo do nível competitivo. Um fluxo expressivo, recorrente, capilarizado por toda uma cadeia de equipes, fornecedores, campeonatos e logística.
O artigo circulou fora das arquibancadas e dos kartódromos. Chegou a investidores, marcas e empresários que reconheceram o diagnóstico. E abriu uma pergunta natural: quem vai fazer esse trabalho? A resposta veio na forma de uma nova estrutura. A MBX - Motorsport Business Exchange foi criada para atuar exatamente nesse espaço: entre o talento que existe e o valor que ainda não foi capturado.
Erno Drehmer, Kart Motor:
Geraldo, o artigo foi escrito como fundador da Motori Brasil. A MBX é uma continuação disso?
Geraldo Affonso Ferreira: São iniciativas distintas, com propósitos diferentes. A Motori Brasil tem vocação institucional e de formação, existe para desenvolver pilotos e profissionalizar o ecossistema desde a base. A MBX tem foco empresarial. Foi criada para estruturar operações, organizar relações com capital e dar lógica de valor a quem já está dentro do setor. Há potencial de sinergia entre as duas, mas não há sobreposição. São frentes complementares.
O diagnóstico que antecedeu a solução
Antes de falar no que a MBX oferece, vale entender o problema que ela se propõe a resolver. Ele se repete em três frentes distintas do ecossistema. Do lado das famílias, as decisões costumam ser tomadas na emoção, o orçamento não tem estrutura e há baixa capacidade de avaliar o retorno do investimento esportivo. O resultado é mais gasto e menos desenvolvimento. Do lado das equipes, precificação inadequada e concentração de decisões comprimem margens mesmo quando a receita é relevante. Do lado do capital, marcas e investidores chegam por paixão, sem tese clara e sem modelo de acompanhamento, o que leva a recursos mal alocados e relações sem sustentação.
O mercado movimenta muito capital, mas ainda gera pouco valor estruturado. É esse gap que a MBX quer fechar.
O que a MBX faz, na prática?
A MBX trabalha com arquiteturas de atuação, cada uma com método próprio: diagnostico estratégico do contexto, definição da arquitetura aplicável, implantação dos primeiros movimentos críticos em 90 dias e revisões trimestrais ao longo da temporada.
A primeira é a Arquitetura do Piloto: estruturação esportiva, decisória e financeira para famílias que querem transformar esforço e investimento em uma trajetória organizada, com planejamento de temporada, estrutura de decisão e disciplina orçamentária.
A segunda é a Arquitetura da Equipe: estruturação esportiva, comercial e institucional para equipes que desejam transformar competência técnica em uma plataforma de valor, com foco na entrega esportiva consistente, na lógica de negócio e precificação e no posicionamento institucional perante famílias, parceiros e patrocinadores.
A terceira é a Arquitetura do Capital: orientação estratégica para marcas, empresários e investidores privados que desejam entrar no automobilismo com critério, com tese de entrada, seleção e alocação de recursos e governança de acompanhamento.
Erno Drehmer, Kart Motor:
Por que agora? O que mudou no mercado para que isso faca sentido hoje?
Geraldo Affonso Ferreira: Nada mudou de repente. O problema sempre existiu. O que mudou é que há mais consciência sobre ele. Quando publiquei o artigo no Brazil Journal, recebi retorno de pessoas de fora do automobilismo que reconheceram o padrão: um mercado que já opera em escala, mas sem estrutura. Isso cria uma janela. Na história dos negócios, são justamente esses momentos, em que um mercado já existe mas ainda não está organizado, que se concentram as maiores oportunidades. A MBX foi criada para atuar nessa janela.
Governança corporativa dentro do paddock
Geraldo Affonso Ferreira tem três décadas de trajetória executiva internacional, com liderança em mercados da África, Oriente Médio, Ásia e América Latina. Em paralelo, construiu sólida atuação em governança corporativa: é coautor da ultima revisão do Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa do IBGC, curador do Congresso Brasileiro de Governança Corporativa por quatro edições e fundador da Confraria da Governança. Atua como Conselheiro Fiscal da BrasilAgro e da Dexco e como membro de Comitês de Auditoria da SPTuris e da COHAB-SP.
É essa combinação, de disciplina do mercado de capitais com vivência prática no automobilismo, que a MBX leva ao dia a dia do setor. Uma estrutura de inteligência e governança que opera de dentro do ecossistema, não de fora.
Erno Drehmer, Kart Motor:
Qual é a mensagem para as equipes e famílias que nos leem aqui no Portal Kart Motor?
Geraldo Affonso Ferreira: Que talento abre portas, mas não sustenta trajetória sozinho. E que organização não é o oposto de paixão: é o que permite que a paixão dure. O automobilismo brasileiro tem escala, tem talento, tem demanda. O que ele ainda precisa e de método. Quem quiser conversar sobre isso sabe onde encontrar.
A MBX - Motorsport Business Exchange - atua na estruturação aplicada ao automobilismo, organizando pilotos, equipes, parceiros e investidores com clareza, disciplina e lógica de valor.
