O kartismo mundial está em luto. Mike Wilson, o piloto mais
premiado da história e figura imponente na modalidade, faleceu nesta
segunda-feira (5), aos 66 anos. Com sua morte, o esporte perde não apenas uma
lenda com seis títulos mundiais, mas também uma testemunha fundamental de uma
era de ouro e um mentor para toda uma geração de campeões.
Para os entusiastas, Mike Wilson era mais do que apenas um
nome em um troféu: ele era a referência máxima. Nascido na Grã-Bretanha em
1959, mas italiano de coração e por adoção, ele compreendeu antes de qualquer
outro que o destino de um grande piloto era forjado na Itália, ao lado das
lendárias fábricas. Essa percepção o levou, com apenas 18 anos, a deixar tudo
para trás e se mudar para perto de Bergamo, tornando-se a ponta de lança da
IAME e da Birel.
Seu reinado ao longo da década de 1980 permanece
inigualável. Entre 1981 e 1989, Wilson conquistou seis títulos mundiais na
Fórmula K (135cc), uma exigente categoria que exigia extrema habilidade para
lidar com os pneus ultramacios da época.
Seu histórico tricampeonato com a Birel (1981-1983) já havia
consolidado sua lenda, mas foi sua capacidade de se reinventar que lhe rendeu o
maior respeito. Após se transferir para a Kali-Kart (precursora da CRG) quando
muitos o consideravam em declínio, ele adicionou mais três títulos à sua
coleção (1985, 1988, 1989), encerrando sua carreira no auge da glória, invicto,
na noite de sua última coroação em Valence, como o dono do maior número de
títulos mundiais em toda a história.
À sombra de Ayrton Senna – Não se pode falar de Wilson sem
mencionar Ayrton Senna. A rivalidade intensa e acirrada entre os dois eletrizou
as pistas europeias no final da década de 1970. A história lembra
particularmente o espetacular confronto entre eles em Jesolo, em 1979, que deixou
o brasileiro com costelas fraturadas e uma longa mágoa. No entanto, com o
tempo, essa animosidade se transformou em profundo respeito.
O 'Fazedor de Reis' – A aposentadoria de Wilson em
1989 foi apenas o começo de seu segundo ato. Tornando-se fabricante com sua
marca Rakama (chassis MW), ele provou ser um olheiro de talentos incomparável.
Em 1996, ele identificou o potencial de um jovem espanhol
chamado Fernando Alonso, levando-o ao título mundial júnior em Genk ao volante
de um chassi MW. Mais tarde, ele se tornou o treinador preferido de futuras
estrelas, de Juan Pablo Montoya a Kimi Antonelli e Lance Stroll. Foi enquanto
treinava este último no Canadá, em 2009, que Wilson quase perdeu a vida,
sofrendo um ataque cardíaco do qual foi salvo por um triz.
Mike Wilson deixa um legado que a estrutura moderna do
kartismo provavelmente tornará eterno. Ele era o 'Avô do Kart', um
professor exigente e um campeão absoluto.
