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02/11/2021 12:28

Punição por painel frontal – ou bico dianteiro –, uma regra a ser revista?


Foto: Gilmar Rose

Enzo Marins junta o bico de seu kart após perdê-lo depois da bandeirada na Copa Brasil


O Campeonato Mundial no último final de semana recolocou em pauta uma regra que, ao longo do tempo, tem causado algumas injustiças no resultado final de várias competições. E, por conta do acontecido, se transformou em uma “discussão” em nível… mundial.

Falamos do bico dianteiro – ou painel frontal, como é oficialmente chamado no Brasil. No Mundial da Espanha, finalizado no último domingo, Freddie Slater, campeão em 2020 na OK Junior, repetia a façanha ao vencer a final. O britânico tentou impor um ritmo ainda mais forte nas últimas voltas para abrir uma vantagem superior aos 5 segundos que sabia que receberia como punição após perceber que seu bico estava fora do lugar por ter tocado, sem culpa e involuntariamente, em um concorrente.

Slater, que largou em 13º, venceu após uma atuação perfeita e terminou 4.744 à frente do japonês Kean Nakamura. O japonês, que igualmente fez uma bela prova, ficou com o título após a punição imposta ao britânico.

No Brasil e no resto do mundo temos visto situações semelhantes e, logicamente, nem todas terminam com punições injustas, pois em muitas delas o piloto punido é realmente culpado. É necessário dizer, antes de tudo, que esta regra chegou a algum tempo atrás exatamente para coibir batidas traseiras intencionais que simplesmente tiravam o concorrente da frente do piloto infrator. E a regra foi e ainda é bastante efetiva, diminuindo muito estas atitudes e dando um caráter de mais honestidade nas competições.

Entretanto, vivemos situações como as de Slater no Mundial aqui no Brasil também. Para citar as punições evidentemente injustas, temos o Parque Fechado, quando um piloto chega com o bico intacto e, sem querer, bate no piloto já parado à sua frente. Ele acaba punido, mas é justa essa punição se for possível provar que o bico “entrou” apenas neste momento e que ele fez a prova toda sem tocar absolutamente em ninguém?

Vamos a um caso mais evidente? Enzo Marins, na última Copa Brasil, venceu a final da F4 Júnior sem tocar em ninguém. Ou seja, recebeu a bandeirada com o bico também intacto. Mas foi infeliz na comemoração do título, quando rodou, bateu nos pneus e perdeu seu bico. O catarinense foi desclassificado pela falta de peso gerada pela perda do bico na pista, é verdade, mas inevitavelmente seria punido por esta regra caso ainda assim tivesse atingido o número exigido na balança.

Porém, seria totalmente possível provar a inocência de Marins e de vários outros pilotos se todos eles fossem obrigados a ter uma câmera onboard em seu kart. Assim, eles mesmos poderiam recorrer e provar – ou não – que o bico estava no lugar correto até o final da prova ou que o bico saiu do lugar porque um piloto errou à sua frente e não foi possível desviar.

Isso, logicamente, passaria pela CBA/CNK, que regulamentaria o uso obrigatório da câmera e, por consequência, os Comissários Desportivos de todos os eventos revisariam as imagens, para, finalmente, punir ou não.

Concluindo, apenas um simples olhar para um painel frontal torto e fora do lugar não poderia anular atuações de alto nível. É necessário termos recursos para que as punições sejam justas e esta regra, como muitas outras, não é perfeita, mas é possível lapidá-la!!!

Se a obrigatoriedade da câmera não for a solução, podem existir outras. O debate está aberto, sugiram!!!

Fonte: Portal Kart Motor | Erno Drehmer

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